Parte II

No Velho Mundo o hábito de apreciar vinhos rosés é antigo. Degustar um bom rosado jovem e fresco, a beira do mar ou piscina no verão, é um hábito mediterrâneo que se encaixa como uma luva no Brasil.

O único aspecto do rosé na Europa que não pode ser emulado aqui é o preço. Vinho no Brasil é sempre mais caro do que deveria (mesmo os nacionais) e isso não dá sinais de que vai mudar. Por isso fiz esta ''mega'' garimpagem, para ajudar os leitores a valorizar seu ''din-din'' sem deixar de apreciar um bom rosado.

Apresento agora a 2ª parte da MAIOR PROVA DE ROSÉS JÁ REALIZADA NO BRASIL. Provei às cegas 93 vinhos de 12 países e hoje apresento o resultado do Velho Mundo. Foram 45 vinhos de Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Líbano e França (menos os da Provence, um capítulo à parte, que apresento na semana que vem).

Antes do resultado seguem algumas considerações:

1- A ''mais valia'' de provar muitos vinhos de uma mesma categoria (93 rosés) é poder ir além da análise de cada taça. Só com uma massa crítica maior pode-se ter perspectiva, examinar o conjunto, e chegar a conclusões coerentes. Aprendi muito com esta grande prova e espero ajudar aos leitores.

2- A gama de estilos de rosados é imensa, vai dos extremamente leves, aos quase tintos. Com isso a temperatura ideal de serviço também varia. Alguns dos vinhos provados ficaram melhor a 8oC e outros só aos 15oC.

3- Poucos vinhos de safras de 2006 para trás foram bem. Alguns foram desclassificados, pois visivelmente estavam aquém do seu melhor, com perda de acidez, frescor e aromas decadentes. Procure os exemplares com no máximo 3 anos de idade.

4- Existem exceções para tudo no mundo do vinho. Alguns raros rosés, como o Château Vannières e o Redoma, demonstram ter perfil para guarda, mesmo assim parecem que vão ''hibernar'' por alguns anos antes de se tornarem interessantes como vinhos envelhecidos.

5- Os rosados portugueses foram a decepção da prova, em geral com estilo pesado demais, sem acidez, ou prejudicados por safras antigas. Mesmo assim garimpei alguns ótimos vinhos (vejam abaixo).

6- Os espanhóis foram a boa surpresa, fazendo valer a tradição daquele país na produção e consumo de rosados, com caldos de estilos variados, do clássico ao moderno.

7- Os italianos mostraram estilo bastante gastronômico, um pouco mais secos e ''bons de boca'', como todo bom vinho italiano.

8- Outra ótima surpresa foram os rosados da Córsega, franceses com sotaque italiano, unindo a leveza gaulesa com a aptidão gastronômica da bota.


Destaques:

Melhores de Portugal
* Redoma Rosé 2006, Niepoort
* Serras de Azeitão Rosé 2008, Bacalhôa
* Casal Garcia Rosé 2008, Avelleda


Melhores da Espanha
* Protos Rosado 2008, Bodegas Protos
* De Casta Rosado 2008, Miguel Torres
* Condado Real Rosado 2008, Avelino Vegas

Melhores da Itália
* Rapitalà Rosato 2007
* Scalabrone 2007, Guado al Tasso
* Rosato di Fontemorsi 2008

Melhores da França (sem Provence)
* Sciaccarellu 2008, Terra Nostra
* Château Le Grand Verdus 2007
* Tavel L´Espiège 2007, Jaboulet
* Le Rosé de Floridene 2006, Denis Dubourdieu

Veja a análise descritiva dos vinhos que se destacaram clicando em www.mardevinho.com.br/colunas/rose-2/avaliacao

Semana que vem: PROVENCE!!!

Saúde!

Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)
www.mardevinho.com.br

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